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quarta-feira, 21 de maio de 2008

Me inclua fora desse.(dia)






O céu acordou gritando pro mundo que esse seria mais um dia daqueles.
Meu cabelo também.
Minhas roupas também.
Nem maquiagem daria jeito nele.
O elevador fez um "tour" até meu destino, o térreo, acompanhada da simpatia matinal de 7 condôminos, num lugar onde cabem 8. E todo mundo sabe que elevador pra 8, só se forem 4 grávidas.
Que piada ridícula.
Voltemos ao dia...
Chegando, o porteiro me entrega em mãos, num ato solene, minhas contas do mês.
Nada como começar o dia em débito!
(Ah, está chovendo claro..detalhe importante.)
O carro passa e lava a alma.
O trânsito pára. E ninguém pára na inquietação dos pensamentos.
Ouço sobre as buzinas, carros-de-som e confusão social, os gritos mudos do blá-blá-blá mental.
Homens desejam mulheres que passam...
Mulheres desejam a roupa de outras mulheres...
Casais brigam de mãos dadas...
E acompanhando a marcha-lenta dos rostos cansados, o dia segue.
Todos seguem mesmo sem ter motivos, sabendo bem onde isso vai dar.
Nada muda, o planejado pelo destino sempre acontece.
É o almoço, a azia, o calor, as crianças no colégio, o jantar, a TV, o sono, e o novo dia...
(novo dia? piada mais ridícula ainda...)
O dia é sempre o mesmo, só espero que o lance das contas do mês fique pro ontem.
A repetição causa L.E.R. na consciência.
O beijo, bom-dia, com licença, obrigado, é o script desse teatrinho ensaiado.
E nós? meros coadjuvantes de péssima atuação.
Porque o papel principal... é sempre da mocinha.
A rotina safada.
Kamila V.

domingo, 18 de maio de 2008

Não achei no Google.


Estou perdida. E o que é pior, no tempo.
Tenho certeza que nasci na época errada, uso roupas erradas, faço coisas totalmente atemporais.
Pro meu tempo e pros meus 21.
Minha irmã riu do jeito que eu digito no MSN, riram porque eu ouço Baden, até o Google riu de mim.
Fui obrigada a me habituar com a tecnologia. Ela colocou a colher na minha goela, sem fazer aviãozinho, e de quebra um chapeuzinho cônico na minha cabeça.
Boba. Mas deixa eu explicar melhor.
Eu caço música. As mais estranhas, mais poéticas, as mais "Eu". As menos escutadas.
Tão menos, que até o Google ignora minhas buscas.
Minha idade biológica me encheu de rugas musicais e a tecnologia me encheu de perguntas.
Será que eu deveria mesmo ignorar tanto o presente e querer viver de passado? Do passado dos outros, do passado à ferro em brasa, e ficar pretérita o tempo todo?
Será que eu não deveria deixar o Google responder "Britney" pra minha pergunta?
Será que lutar à contra-gosto e contra o gosto da modernidade vai me trazer felicidade, dinheiro, amigos e tudo de mais "hi-tech" que a atualidade tem e eu não tenho, mas queria?
Não sei.
Responda-me você.
Que vê as coisas aí do alto (por isso possui o melhor campo visual de uma visão beem mais-ou menos).
Você talvez poderia chegar junto pra me tirar essas dúvidas.
Você que me fez assim tão ranzinza.
Você que sabe meus intentos e tudo me faz ver desse jeito típico do meu tipinho.
Eu prometo que escuto se você falar.
E se for por e-mail, eu prometo ler e responder.
Mas não me manda pro Google.
Kamila V.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O saco


Eu me percebi esses dias. E juro que tô apavorada.
Eu me dei conta que minha humanidade é perfeita pra viver em Plutão, que nem é planeta, mas é o mais longe que eu posso estar dessa mediocridade terrena.
Não consigo mais disfarçar com aquela carinha de monalisa, que me interesso pelo teu papo.
Prometo pra mim, não disfarçar mais sua chatice e que minha opinião à seu respeito não é das melhores.
Eu já tentei gostar do que as pessoas normais gostam. Já tentei rir das piadas do Tom, gostar de funk, roda-de-pagode, balada, pegar-sem-se-apegar, mas não rolou. E se esse for o clima, não quero e não vou entrar nele.
Dias atrás alguém me disse que eu consigo disfarçar numa risadinha elegante, as gafes cometidas por seres, ditos humanos, do meu meio de convívio.
Mas minha paciência tá bem perto do limite, que num esforço sobrenatural tá sendo esticado ao GG, pra eu não perder a compostura.
Não é TPM, nunca tive isso, não acredito que exista, pra merda essas garotas tepeêmicas.
É saco. Acreditem, por trás de toda essa feminilidade venusiana aparente, existe um saco.
Ele comporta dentro de si, todas as porcarias humanas. Sabe aquela besteira, aquela mentira, aquela decepção, aquele engano, aquela promessa cafajeste, que você cometeu, disse e fez pra mim? Então. Agradeça à minha paciência, pois como diriam minha adoráveis amigas do telemarketing: Eu estou estando guardando com calma tudo no saco.
Aliás, elas também tão no saco.
Mas voltando ao topo, quando eu falei do medo de mim.
É que assim. Eu to realmente preocupada com o tanto de nojeira em quilo que meu saco aguenta.
Baboseira em metros. Lágrimas em litro.
A resistência da minha paciência ( e do saco!) surpreende a mim a ao fabricante do dito cujo.
Eu tenho medo de não ter mais um saco pra viver.
Eu quero um novo, novo e vazio.
Pra poder reabastecê-lo sem medo.
Pra poder aguentar um pouco mais da novela das 8, das propagandas de banco que fazem sinal com indicador, do Faustão( a mulher dele deve ter um saco invejável da Louis Vuitton), pra poder aguentar com leveza, doçura e sorriso de Mc'garota a amolação social.
Mas o saco tá aí. Frágil, prestes a entregar-se.
E o pior de tudo, o ventilador tá ligado.
Kamila V.




quarta-feira, 14 de maio de 2008

Crítica ao excesso.


Meno lixo, menos mentira, menos sonho.
Menos bajulação, menos política, menos sono.
Menos computador, menos tilenol, menos aula faixa.
Menos nós dois, menos congestionamento, menos nota baixa.
Menos gordura localizada, menos ócio, menos roupa-suja.
Menos ladeira, menos encenação, menos promessas.
Menos suor, menos créu, menos cuidado.
Menos ciúme, menos febre, menos desconfiança.
Menos chiclete na sola, menos consumo, menos peso.
Menos religião, menos trabalho, menos distância.
Menos saudade, menos exposição, menos recados.
Menos incerteza, menos infidelidade, menos horário-marcado.
Bem menos do que é muito, porque o excesso sempre sobra.
E a gente fica sem saber o que fazer com essas coisas todas a mais.
De repente não tem mais lugar pro lixo no aterro.
Nem fôlego pra subir a ladeira.
Nem lugar pra saudade no coração.
Nem ouvidos pro créu. Nem roupa nova pro peso novo.
Nem paciência pra político na televisão.
E não se tem mais tempo, nem mais espaço.
O ambiente torna-se pequeno e o excesso amontoado.
Assim com ônibus das seis.
Assim como o mundo pra nós.
Kamila V.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Metade da maçã de Eva.


Eu levei séculos para descobrir e entender o que Shakespeare já dizia.
Anacrônica, atrasada!
Só hoje eu confirmei que não importa o quanto uma pessoa te ame, ela vai te fazer sofrer.
E isso é um ciclo, no qual me incluo. Acredito, por pretensão ou não, que já fiz algumas pessoas inundarem seus travesseiros, por verdades ou grosserias que eu cometi.
Assim como já passei também boa parte de algumas noites, contribuindo para o desmatamento com meus lenços de papel.
E descobri uma boa nova, por assim dizer; Ninguém morre de amor.
Bem que esse ditado existe desde a época da minha vó, mas só agora eu entendi. Fazendo juz novamente ao meu atraso.
Não sei até que ponto isso é ruim. Nem sei se é bom.
A única coisa que consegui assimilar na noite de ontem, é que se essas verdades tivessem sido reveladas a mim desde sempre, eu não teria me entregado tanto aos amores que tive.
Não teria confiado tanto nas pessoas, por prever que elas me fariam sofrer.
Se eu soubesse que é impossível morrer de amor, eu teria deixado ele (o amor) partir na primeira desilusão.Mas não, eu o agarrei forte...porque sempre tive medo da morte.
Porém a vida me deu consciência, assim como a fruta deu à Eva.
Me ensinou sobre decepções, em aulas práticas.
Me ensinou que elas nunca vão parar, a menos que eu viva isolada.
Me ensinou que as pessoas machucam. Amam e machucam simultaneamente.
E eu penso que aprendi.
Hoje eu posso escolher quando e como quero sofrer.
Posso escolher também se quero amar ou não.
Mas não posso escolher de quem me virá isso.
Essa é a parte que eu e Eva ainda buscamos.
Acho que a gente comeu só metade da maçã.



Kamila V.

domingo, 6 de abril de 2008


Oi pipows!




Hoje é domingo..aquela pré-segunda de sempre.
Como todo bom domingo que se preze, o Faustão tá na telinha, o Gugu contando os sabonetes da banheira e eu no sofá ruminando meu almoço light de domingo.
Domingo é aquela coisa né...A gente acorda meio-dia, com a cara em forma lunar, olha pela janela e pensa que foi todo mundo arrebatado porque a rua tá deserta: É domingo.
Depois a campainha toca, chega a vó e as tias que vieram mais uma vez almoçar sem avisar;
Aquela barulhada quando tudo que você quer é o silêncio do domingo.
E depois tem louça, tem sujeira, tem homem no sofá pedindo sobremesa, tem gente no quarto da gente, dormindo na cama da gente...e o que era pra ser um maravilhoso começo de semana, transforma-se no mesmo domingo de sempre.
Tem gente que odeia segunda, eu odeio domingo.
Pra mim a segunda-feira é formidável.
Eu não tenho tempo de comer, portanto são quilos a menos.
Eu não tenho tempo de dormir, portanto minha cara fica sempre do jeito que deveria ficar.
Minha casa fica deserta, minha cama arrumada, o silêncio impera, e eu descanso.
Descanso de reclamar, de pensar besteiras, de fazer nada, de ser inútil.
A semana não me dá tempo pra minutos melodramáticos.
Viva a semana!
Viva o trabalho escravo!
É assim (e só assim...) que o Brasil vai pra frente!

Boa semana.
Kamila V.


sábado, 5 de abril de 2008

Desabafo.


É um tal de blá blá blá que me cansa...
É um tal de "sempreamesmacoisa" que me dá náusea.
Tudo deveria se renovar:Eu, você, as misericórdias.
Porque então buscar ser igual?Ser mais um na multidão, não tem a menor graça.
Graça mesmo tem a vida.O amor.Os amigos.
O sorvete geladinho,a havaiana no pé, o banho de cachoeira, o violão e a fogueira.
Graça mesmo, têm aquelas piadinhas sem graça.
Tem graça a coletividade!!
Tudo e todos em bando...Cantar em bando.Jogar em bando.Ir pro céu em bando.
Ser feliz com quem realmente vale à pena!E pra mim todo mundo vale à pena.
O que não vale à pena, é o que todo mundo faz.
Todo mundo faz a mesma coisa...E de coisas estou cheia...Meu guarda-roupas está cheio.
Minhas gavetas estão cheias...
Eu sinceramente gostaria de fazer a diferença..mas tenho uma dificuldade enorme em ser igual...
Porque pra mim fazer diferença, tenho que ser igual.
Não à todo mundo..
Mas igual à Ele.